O material publicado neste blog é resultado dos trabalhos desenvolvidos na disciplina História da Arquitetura e do Urbanismo no Brasil, do Curso de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal do Tocantins. Os temas dos artigos resultaram da Visita técnica realizada à cidade de Belém do Pará, nos dias 6 e 7 de dezembro de 2013, coordenada pela professora Patrícia Orfila, responsável pela disciplina.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Espaço São José Liberto: De Sofrimento à Liberdade

                                               Débora Vieira Barbosa

A cidade de Belém é capaz de proporcionar aos seus visitantes uma pluralidade de sensações. Museus, igrejas, praças, casas, vegetação e, principalmente, seus habitantes a torna atraente e peculiar.  Os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Tocantins puderam conhecer e explorar, durante a visita técnica, os diversos elementos que fazem parte da história de Belém.
Um dos locais de grande referência no cenário cultural, histórico e comercial da cidade de Belém é o Espaço São José Liberto, onde é possível ter contato com as riquezas minerais e culturais do estado. O presente artigo visa expor as características, importância e história do local.

Missões religiosas no Pará e o Convento São José
As missões religiosas chegaram ao Brasil, tendo como um dos objetivos ocupar regiões interioranas e afirmar o domínio português. Elas foram responsáveis pelo ensino da doutrina cristã a várias tribos indígenas e a consequente implantação de conventos.
Segundo Amorim (2011), os frades, pertencentes à ordem franciscana, vindos da província de Nossa Senhora da Piedade chegaram à Belém no final do século XVII com o objetivo de auxiliar na catequização, entretanto com intenções de desenvolver o próprio mecanismo de evangelização. Isso incluía a construção de um hospício, na ermida dedicada a São José, que seria posteriormente um convento, gerando conflitos com os frades de Santo Antônio – já estabelecidos na região amazônica realizando a catequização – que tentaram impedir que isso ocorresse.
            Porém, de acordo com a mesma autora, em 1749 foi construído na cidade de Belém o Convento de São José no terreno herdado pelo 13º Capitão-Mor do Pará, Hilário de Souza Azevedo. Com a expulsão dos frades do país, no século XIX, o edifício ainda não concluído, foi ocupado pelo governo e transformado em depósito de pólvora, quartel, olaria, hospital e, em 1843, cadeia pública.

A transformação da cadeia em presídio e as modificações estruturais na edificação
            Maroja (2002), explica que devido os vários usos a que se submeteu o edifício, sua estrutura foi parcialmente alterada. No período em que estava sendo utilizado como cadeia, em uma das ampliações, foi instalada uma escola e uma oficina, objetivando a qualificação dos presos para realizar serviços públicos. Porém, ainda existiam vários problemas relacionados à condição estrutural do prédio. Os presos eram submetidos a situações precárias. O espaço da cela era pequeno, com pouca iluminação e com infiltrações constantes.  Então, foi feita uma pequena reforma, bastante superficial. Mas, em 1926, as dependências receberam uma reforma geral providenciada pelo Conselho Penitenciário. Em 1943, o local foi transformado em presídio, sob o governo de Magalhães Barata, resultando em algumas alterações, como criação de oficinas e reformas de celas.
Como afirma Maroja, o Presídio de São José possuía os seguintes espaços internos. O pátio 1 era utilizado para banho de sol dos presos enquanto no pátio 2 ficavam as quadras esportivas. O “Cinzeiro” era uma sala de isolamento e o Morro eram as celas do pavimento superior. Também possuía a cela de triagem (local temporário onde ficavam os presos que chegavam), a ala de segurança (acesso ao exterior do edifício), corpo de guarda (local onde ficavam os policiais que faziam a segurança do presídio), a cantina, as guaritas, a enfermaria, cozinha, refeitório, oficinas, administração, e biblioteca.
Anastácio das Neves (2010), ex-diretor do presídio São José, atesta que foi designado para tal função, pois o presídio atravessava uma época ruim. Então, em 1960, criou uma espécie de polícia interna formada pelos próprios presos com o objetivo de corrigir os excessos e disciplinar os criminosos, para ele foi uma medida eficiente. Entretanto, João Capiberibe (2010) ex-detento do São José, relata que os maus tratos por parte da polícia interna começavam desde a chegada ao presídio.
O sofrimento dos presos, hoje pode ser demostrado através da antiga sala cinzeiro – local de isolamento dos presos – onde estão expostos objetos de tortura utilizados pelos detentos, como é retratado da foto 01.

Foto 01 – Objetos de tortura utilizados pelos presos. 
Fonte: Fernanda Alencar (2013)

Rebelião no presídio
            O presídio São José foi palco, em 28 de fevereiro de 1998, de uma terrível rebelião.
            Maroja explica: “Durante a rebelião, foram tomados como reféns, três agentes prisionais, um agente administrativo e o casal da Pastoral Carcerária (PC), totalizando 06 pessoas. (...) Com efeito, o líder do movimento José Augusto Viana David, mais conhecido como Ninja, solicitou uma série de reivindicações exigindo, carros e munições para a fuga dos presos. No entanto, as exigências não foram atendidas, o sistema de luz e água foi cortado, na tentativa de que os presos se rendessem.” (2002, p. 27)
            Entretanto, a rebelião foi enfraquecida depois que o líder foi morto a tiros por outro preso e jogado do telhado envolto em lençóis, de acordo com a foto 02.

Foto 02 – Noticiário sobre o fim da rebelião exposto no Memorial da Cela Cinzeiro, mostrando “Ninja” morto. 
Fonte: Fernanda Alencar (2013)


Além dele, outras três pessoas morreram durante a revolta, todos detentos. Três pessoas ficaram feridas. Na tarde de domingo os revoltosos se renderam, totalizando 28 horas de tensão. Cerca de dois anos depois os presos foram transferidos para um presídio em Marituba, região metropolitana de Belém.

Revitalização e criação do Espaço São José Liberto
             De acordo com Maroja, em março de 2001 foram iniciadas as obras de revitalização do antigo presídio, sob coordenação da Secretaria Executiva de Cultura (Secult). O edifício estava em péssimo estado, por isso, pavimentos foram reconstruídos. A restauração possibilitou encontrar diversos instrumentos que faziam parte do antigo presídio, inclusive utilizados como objetos de tortura pelos presos, como, palmatória, bola de correntes de aço, dentre outros. O prédio foi inaugurado em 11 de outubro de 2002 como Espaço São José Liberto. Toda a estrutura abriga o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro e a Casa do Artesão, como podemos ver na foto 03.

Foto 03 – Espaço São José Liberto. 
Fonte: Arquivo pessoal (2013)


No Museu estão presentes descobertas arqueológicas de objetos utilizados pelos indígenas, como, amuletos, cerâmicas, ponta de flechas e muiraquitãs. Além disso, têm uma exposição permanente das gemas de minérios encontrados no território paraense, possui em torno de 4000 peças, quartzos, diamantes, pegmatitos, turmalinas, dentre muitos outros. Em uma sala também são expostas uma coleção de joias.
Ainda segundo a mesma autora, parte das amostras de minérios presentes no Museu foi doada dela mineradora Vale, e extraídos da Serra dos Carajás no estado do Pará. Foi feita uma cerimônia de entrega dessas amostras com a presença do diretor de operações de cobre, gerente de comunicações, gerente de relações institucionais, todos da até então Companhia Vale do Rio Doce. Também estava presente o secretário de Cultura Paulo Chaves Fernandes. Foi entregue 500 gramas de ouro maciço.
­­­            Outro elemento do Museu é o Jardim da Liberdade, projetado pela paisagista Rosa Kliass, que chama atenção pela presença de quartzos, como demonstra a foto 04.

 
Foto 04 – Jardim da Liberdade. 
Fonte: Arquivo pessoal (2013)

Zein e Klaiss afirmam: “O tratamento paisagístico concentrou-se no pátio histórico; buscou enfatizar o novo caráter atribuído ao edifício – a celebração das pedras semipreciosas da Amazônia – utilizando-se grandes blocos de quartzo branco e rosa, e organizando-se canteiros onde se justapõem pedras e vegetação, com a presença de repuxos de água, complementados por grandes vasos de vidro preenchidos por seixos rolados de quartzo de várias cores, e com a presença de preciosas palmeiras-laca.” (2006, p.168)
A antiga capela do Convento, utilizada como refeitório dos presos, foi restaurada, porém, as paredes foram mantidas no estado original com pedra aparente. Atualmente é utilizada em celebrações religiosas, saraus literários e apresentações musicais.
            Uma atividade característica desenvolvida no Espaço São José é a fabricação e comercialização de joias – por isso também é chamado de polo joalheiro. Onde profissionais locais trabalham na lapidação, confecção e conserto de peças. Várias lojas estão instaladas no local.
            Na Casa do Artesão é feita a venda de artesanatos: objetos de cerâmica, madeira, palha. Tem também o Coliseu das Artes, onde são realizados espetáculos de música, dança, folclore, entre outros.
O Espaço São José Liberto é administrado pelo Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama) e Organização Social (OS). Todo esse complexo, além de ser uma ótima opção cultural em Belém, produz renda para os diversos profissionais que trabalham no local e presta serviços à população.

Referências
AMORIM, M. A. A Missionação Franciscana no Estado do Grão-Pará e Maranhão (1622-1750), Agentes, estruturas e dinâmica. 2011. 802 f. Tese (Doutorado em História) – Departamento de História, Universidade de Lisboa, Lisboa. 2011. Disponível em: < http://repositorio.ul.pt/handle/10451/5393> Acesso em: Jan 2014.
MAROJA, A. M. O Espaço São José (Belém-PA), Liberto dos grilhões da lei e preso às imagens do tempo. 2002. 54 f. Monografia (Graduação em Educação Artística) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade da Amazônia, Belém. 2002. Disponível em: <http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/monografias/espaco_sao_jose.pdf> Acesso em: Jan 2014
ZEIN, R. V. Rosa Kliass, Desenhando Paisagens, Moldando uma Profissão. São Paulo: Editora Senac, 2006.
NEVES, A. São José Liberto: depoimento. [10 de agosto, 2010]. Belém: TV RBA. Entrevista concedida a Talita Iketani. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=tkeAcKFeIrk> Acesso em: Jan 2014
CAPIBERIBE, J. São José Liberto: depoimento. [11 de agosto, 2010]. Belém: TV RBA. Entrevista concedida a Talita Iketani. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=GGgmUCGa26M Acesso em: Jan 2014.

Parque Naturalístico Mangal das Garças


Hector Monyego M. Costa¹


“O homem que deixou de ser escravo da Natureza tampouco é o senhor que nela impera, deveria ser o seu vigilante guardião”. (Benedito Nunes)

Demonstra-se através desse artigo quais os pensamentos advindos do modo de conceber o projeto, de tal forma que contribua para a noção do espaço para quem o ocupa em determinado momento. Além disso, evidencia o intuito de contribuir para a percepção referente à formação do parque Mangal das Garças, bem como se deve apanhar de que forma o mesmo foi pensado, à medida que favorecesse a cultura local e pudesse atrair visitantes para a área. 
Dessa forma, pode-se constatar que o local agrega uma mistura de sensações. Seja através da visão, em que o encantamento surge só de olhar; em sentir fisicamente o que a natureza nos presenteia por meio do tato, e/ou até mesmo a audição, que permite abstrair os sons, seja dos pássaros, das árvores, das águas, todos estes em seu ambiente natural. Contudo, destaca-se a maneira como essas sensações foram originadas no parque Mangal das Garças no que diz respeito a sua criação no espaço urbano, bem como a intencionalidade direcionada a ele. 
O Mangal das Garças é uma área que foi revitalizada por meio de um programa de necessidades definido pelo arquiteto Paulo Chaves e sua equipe, considerando a inclusão de equipamentos destinados ao lazer. Compreendido em 40.000m², está situado na cidade de Belém do Pará, às margens do Rio Guamá.
É privilegiado no que diz respeito à natureza, pois possui espécies nativas da região amazônica, além de que foram atribuídas diferentes formas de apreciar o lugar, seja pelo mirante, transitando por todos os demais lugares ou à beira do Rio Guamá, ao entardecer. Estes pontos são capazes de transmitir diversas sensações isoladas ou simultaneamente. Estas são imagináveis devido ao fato de que o ambiente é totalmente propício, uma vez que consegue imprimir um espaço natural, proporcionando, desta forma, uma compreensão de encanto aos olhos, de aconchego, no que se refere a passeios com a família, já que possui locais em que pode ocorrer o descanso, bem como inspiração e apreciação.
Conforme Paulo Chaves especifica, a ideia que norteou para conceber o projeto de revitalização do Mangal das Garças foi a de criar um espaço naturalístico, podendo ocasionar na identificação de três formas de paisagens amazônicas:

O Mangal das Garças é um parque naturalístico que apresenta as diferentes macrorregiões florísticas do Estado, ou seja, as matas de terra firme, os campos e as matas de várzea. Uma natureza recriada que só vai estar pronta daqui a 15 ou 20 anos (Paulo Chaves, entrevista concedida à Pedro Mergulhão em 2009).


Seguem, respectivamente, as imagens que demonstram no parque exemplo de terra firme, campo e várzea amazônica:
Foto 1: Mangal das Garças: Região de terra firme.
Fonte: Arquivo particular do autor, 2013.

Foto 2: Mangal das Garças: Campo.
Fonte: Arquivo particular do autor, 2013.

 Foto 3: Mangal das Garças: Várzea amazônica.
Fonte: Arquivo particular do autor, 2013. 

Paulo Chaves conta ainda com o comprometimento de Rosa Kliass - profissional que desenvolve seus projetos seguindo princípios de manutenção e regeneração de ecossistemas - a arquiteta paisagista que desenvolveu o projeto paisagístico do Mangal.
Tendo em vista projetos paisagísticos visitados em Israel, Rosa Kliass pôde assimilar a verdadeira importância do conceito na criação paisagística, “compreendi que a mensagem daqueles projetos era a celebração do significado, nada é aleatório, tudo tem um conceito claro.” (ZEIN, 2006, p. 26).
O pensamento de Kliass, portanto, traduz perfeitamente o projeto paisagístico designado pelo autor como “ecocultural”, uma vez que está condicionado aos conceitos da paisagem cultural e da ecologia da paisagem, e faz-se associação ao Mangal das Garças por possuir a identificação da paisagem amazônica e seus elementos no parque citado.
Além disso, promove a valorização da cultura local através dos elementos presentes no paisagismo, remetendo à cultura indígena através do piso, das cores utilizadas e suas curvas sinuosas no trajeto. Características que culminam para apreciação do espaço em seus mínimos detalhes. Depois de pronto, o projeto pode ser compreendido dessa forma, mas até o resultado, o processo consiste em um trabalho árduo de estudo para atender a todos os aspectos referentes à concepção de perfeição da obra como um todo.

Em lugar de paisagem regional, eu diria, em verdade, que o projeto deve sempre ter uma carga do que se refere à paisagem do lugar. Este aspecto faz parte daquilo que eu considero um dos aspectos essenciais para a garantia da qualidade do projeto: o caráter da paisagem e o significado do lugar criado (KLIASS², 2008).


Na percepção do visitante tudo acontece de forma intensa e gradativa, não sendo improvável se surpreender a cada descoberta de pontos do local. É possível, por conseguinte, atentar-se para os detalhes e detectar cada ponto em especial segundo a sua transmissão de efeitos. Nota-se isso quando se faz o passeio pelos caminhos ondulados, assemelhando-se aos rios amazônicos, de tal forma que garante a contemplação da natureza e da paisagem, embora comumente estejamos dispostos a fazer caminhos retilíneos, as curvas não denotam incomodo algum no que diz respeito a percurso, já que explora essa ideia de espetáculo natural.
A sensação se estende ao passar pelos canteiros coloridos e ao passar pelo grande lago central, que presenteia aos olhos com aves junto aos lagos artificiais, seja para quem vai rumo ao borboletário, em que se pode observar as borboletas em seu ambiente natural, ou até mesmo atrás das garças que sobrevoam baixinho em busca de seu mantimento no fim da tarde. Cada percepção sentida e vivida, minuciosamente.
O Mangal das Garças dispõe de vários elementos que atraem pessoas de diversas partes sem fazer distinção de classes sociais, este fato é percebido por haver uma circulação frequente de visitantes e por não existir taxa de cobrança que restrinja a entrada no parque, somente aos espaços de exposições, consequentemente, costuma-se dizer que todo belenense deve possuir uma fotografia registrando um momento aos finais de semana no parque.
Para quem deseja visualizar o entorno em que o local se insere, poderá contar com o restaurante Manjar das Garças, sobretudo através do mirante situado no parque, que consiste em 47 metros de altura, onde há duas plataformas de observação, em que se permite a observação da floresta, do rio e também de parte do centro histórico da cidade. O traçado com a alternância de formas fechadas e abertas é, especialmente, aspecto admirável. Estas formas podem ser encontradas na Amazônia, no entanto, diferenciadas, por possuir mata fechada e pela abertura de vistas para rios ou determinado tipo de sistema ecológico. Sente-se esse efeito no aningal existente no parque, onde há possibilidade do visitante ser conduzido por um caminho que passa entre uma mata fechada de aninga.

                    
  Foto 4: Parque Mangal das Garças: Mata fechada (Aningal) 
Arquivo particular do autor, 2013. 

   Foto 5: Parque Mangal das Garças.
Arquivo particular do autor, 2013.



Em suma, observa-se que com o intuito de promover encontro através de atividades e descanso o mangal adquire êxito, uma vez que o projeto compreende de que forma a arquitetura influencia no bem-estar das pessoas e contribui para o desempenho de tarefas de diferentes formas, para que neste lugar haja interação entre as pessoas.
Nota-se que o projeto do parque proporciona o espetáculo da natureza aos visitantes, além de tornar-se mais uma opção de visitação na cidade. Sobretudo, o projeto adquire um teor natural através de elementos construtivos típicos da região, permitindo associá-lo à região.


Referências

COMPLEXO TURÍSTICO
Disponível em http://www.mangalpa.com.br/. Acesso em 22/01/2014.

GUIA IMAGENS
Disponível em: http://portodososlados.wordpress.com/tag/museu-amazonico-da-navegacao/. Acesso em 22/01/2014.

HISTÓRIA
Disponível em: http://www.secult.pa.gov.br/. Acesso em 22/01/2014.

MERGULHÃO, Pedro. A Paisagem Amazônica no Paisagismo de Belém: Caso Parque Naturalístico Mangal das Garças. Recife, PE, 2009.

ZEIN, Ruth Verde. Rosa Kliass: desenhando paisagens, moldando uma profissão. São Paulo: Editora Senac, 2006.

                                                              
¹ Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Tocantins.
² Rosa Grena Kliass, arquiteta paisagista, considerada uma das profissionais mais importantes na história do paisagismo brasileiro.

Mangal das Garças - requalificação e recuperação de uma área degradada (Belém-PA)


Kléria Patricia Soares Barros


O tema da água permanece bastante em voga na cidade desde finais dos anos 80, na
medida em que se discute e se concorda cada vez mais com um projeto relativamente vago
de “devolução” do acesso à sua orla fluvial. “Desobstruir”, então, passou a ser uma concepção
praticamente consensual, numa articulação entre “requalificação” e “revitalização”
do território e “resgate” do contato com a natureza. (Juliano Ponte)


            Em torno de Belém (PA), norte do Brasil, podemos falar na existência de uma política sobre a apropriação e as formas de uso do território próximo à água. Atualmente, intervenções territoriais e políticas públicas lidam, em frentes diversas, com esse contexto através de projetos urbanísticos, ambientais, da modernização portuária e da promoção de discursos da sustentabilidade e da melhoria do ambiente urbano em geral. Tais ações parecem apontar para uma reconfiguração de espaços, em direção a uma incorporação do patrimônio cultural à dimensão ambiental; a uma pretensa retomada da natureza na cidade; à mudança do caráter da zona portuária; e à conversão da ideia de Natureza” em paisagem de consumo visual, em projetos de autodeclaradas “sustentabilidades” no território próximo à água.
Uma análise feita a partir de notas referentes ao Mangal das Garças na mídia3, desde quando se começou a cogitar a ideia de implantação desse complexo turístico, no ano de 2001 até o ano de 2007, pode ser considerado um levantamento importante para a construção dessa pesquisa, pois iremos compreender, a partir dos interesses de estruturação daquele espaço os valores intrínsecos presentes na elaboração do referido projeto. É importante explicitar, que a partir da pesquisa do material relacionado ao Mangal das Garças, tivemos contato com várias informações a respeito daquele ambiente, possibilitando a pesquisa elementos importantes para sua construção. Logo, faremos referencia a essas notas veiculadas na mídia, para posteriormente compreendermos a lógica de construção daquele espaço voltado para atender
os interesses de lazer da classe dominante em detrimento da classe trabalhadora.

Mangal das Garças:
            O Mangal das Garças é um espaço que pretende reconstituir a fauna e a flora de parte dos ecossistemas amazônicos, à beira do rio Guamá. Possui uma série de espaços e viveiros onde borboletas, pássaros, orquídeas e demais espécimes da região são expostos ao visitante (Pará, 2005a):

Considerando-se as condições paisagísticas da área, a intenção foi a criação de um Parque Naturalístico, cujo tema é a representação das diferentes macro regiões [sic] florísticas do Estado do Pará, isto é, as Matas de Terra Firme, as Matas de Várzea e os Campos. Entre lagos, vegetação típica, equipamentos de cultura e lazer, juntamente com a inusitada paisagem do aningal¹ existente, o Mangal das Garças representa uma síntese do ambiente amazônico, bem no coração da cidade. Uma obra emblemática onde a natureza é preservada e o homem aprende a conviver, sem destruir, com a sua circunstância ambiental. O projeto harmoniza os acessos com as vias existentes e terrenos do entorno, aproveitando-se a presença da água para a implementação de um grande lago como o seu ponto principal, além do rio, circundado, equilibradamente, por caminhos e passeios pavimentados, que interligam o estacionamento, áreas de estar e os equipamentos de lazer e serviços. O destaque às peculiaridades da paisagem amazônia levará o visitante à descoberta de perspectivas exóticas, que integram ambientes das matas de várzea do estuário, de terra firme e campos com o aningal. (Pará, 2005a.)


O Mangal das Garças foi inaugurado em 12 de Janeiro de 2005, é uma área que compreende 34,7 mil metros quadrados contígua ao arsenal da marinha. O espaço foi projetado pelo secretário da cultura Paulo Chaves e sua equipe, é um complexo cultural e turístico, representando uma síntese do ambiente amazônico dentro da metrópole, as margens do Rio Guamá. (Guia turístico do Pará, 2005).

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¹. A aninga é uma vegetação típica de áreas alagáveis da região, em geral lodosas. A espécie vegetal chega a atingir metros de altura, às margens dos cursos d’água.

O espaço é considerado, segundo o secretário de cultura que o projetou, um espaço de resgate do ambiente natural, pois segundo o mesmo, houve uma preocupação em deixar presente no espaço uma representatividade da mata de várzea e alguns exemplares da forma regional.    
Na dimensão patrimonial da ideia de melhoria da “qualidade de vida” na cidade há inclusive uma declarada intenção de remeter ao passado da cidade de Belém, com a construção de um mirante sobre estrutura metálica, onde está instalado o “Farol de Belém...que encontra-se inscrito nas cartas náuticas brasileiras” (Pará, 2005a). Na cidade havia uma série de caixas d’água metálicas, remanescentes das concessionárias privadas de abastecimento de água, de capital inglês (Ximenes, 2003). O passadismo pós-moderno, da reciclagem dos signos da cidade remodelados para o presente (Harvey, 2000), está, portanto contemplado; a alegação da História confere, provavelmente, mais “dignidade” ao projeto.
O processo de educação ambiental do cidadão, o reconhecimento da própria natureza do entorno e a capacidade de consumir visualmente a imagem amazônica estão vinculados, ao que parece, à experiência da visitação informada ao parque. Obviamente, trata-se de uma intervenção urbanística e,
como tal, a artificialidade não poderia deixar de ser praticamente total no espaço. No entanto, longe de qualquer purismo ou forma simplória de consideração do par cultura/natureza, cabe observar como a produção do lugar e a produção da natureza ordenada, logram papel de destaque no urbanismo contemporâneo e na requalificação dos espaços urbanos. Torna-se evidente que a questão metodológica é antes outra: a da desnaturalização da paisagem, historicizada e culturalizada em sua dimensão pretensamente “natural”.
Uma das contradições mais interessantes a respeito desse coletivo, múltiplo e intrigante senso comum – o de “revitalizar” as margens fluviais da cidade e restabelecer o contato com a natureza – é a série de impactos que ele tem provocado. Em termos urbanísticos, é visível a tendência do mercado imobiliário em captar o potencial de localização das margens fluviais (Ximenes, 2004). Também é representativa a tendência histórica ao enobrecimento (que a literatura também trata como gentrification) dos espaços do centro histórico (Ximenes, 2004), cuja qualidade patrimonial o coloca, portanto, como mais um espaço “da qualidade de vida”, nos termos da sustentabilidade urbana. A óbvia instauração de um padrão progressivamente desigual de localização e de apropriação dos recursos nos remete a uma ideia de segregação, de estabelecimento de novas fronteiras no espaço urbano, valorizado cultural e economicamente em certas áreas. As ações e a justificativa do novo padrão de intervenção (desobstruir, requalificar, retomar o contato com a natureza etc.) teriam seu argumento na ideia de um ciclo: aumento de receita pública, aumento de investimentos sociais, melhoria da “qualidade de vida”. Em síntese, a tendência e a semelhança com outros casos nos remetem mais à ideia de “sustentabilidade do dinheiro do que do meio ambiente” (Sachs, 1997, p.18). A ideia de “desenvolvimento”, nos marcos da economia de mercado (Sachs, 1997), permanece dessa feita, acentuada a partir do convencimento coletivo de que um novo padrão de “requalificação” e “sustentabilidade” dos espaços deve ser instalado.


Figura (1): Viveiro de Flamingos
Foto: google imagens

Fora as críticas relativas ao projeto, o visitante tem a chance de fazer o olhar sobrevoar pontos especiais como o grande lago central, os caminhos sinuosos, os canteiros coloridos, as áreas de estar e os equipamentos de lazer e serviços. Os lagos artificiais do complexo receberam aves pernaltas, marrecos e quelônios criteriosamente selecionados. Recantos com caramanchões em madeira criam oásis de sombra perfeitos para o descanso. O local possui: O Museu Amazônico da Navegação, Manjar das Garças, um dos melhores restaurantes da capital. Viveiro das Aningas ou Viveiro dos Pássaros, onde o visitante tem contato direto com uma impressionante quantidade de pássaros. O Farol de Belém, com 47 metros de altura, a monumental torre-mirante do Mangal das Garças oferece dois níveis de observação. O Borboletário, numa área de 1.400 m², o ambiente é o primeiro do gênero da região Norte e já é apontado como o maior de todo o Brasil. Orquidiário. O Criatório e Viveiro de Plantas. Armazém do Tempo, onde os visitantes podem comprar plantas, artesanato, livros e CDs de artistas paraenses e é possível saborear no local um requintado serviço de café. Além de um belíssimo por do sol.


Figura (2): Borboletário
Foto: google imagens


 Figura (3): Restaurante Manjar das Garças
Foto: google imagens





Considerações Finais:
Apesar de todas as críticas a respeito de um projeto de tão grande porte como este. Conhecer esse lugar trouxe uma experiência que jamais esquecerei, proporcionou ter uma visão mais estendida sobre como desenvolver um projeto paisagístico de qualidade. A proposta da viagem não poderia ter tido êxito maior, pois, a qualidade do conhecimento obtido foi tão grande, que nem sei se outra viagem será capaz de superar.
Uma viagem como esta serve para mostrar, como nosso país é rico, e não damos o devido valor a sua historia. Espero sinceramente que após essa primeira experiência, possamos olhar para o lugar a qual pertencemos com outros olhos, e percebermos, que podemos ter muito a aprender sem ter que ir muito longe.   

Referências Bibliográficas: http://www.mangalpa.com.br/

                                                   (PONTES, Juliano) – Reconfiguração de Margens Fluviais e Belém – PA (tese)

                                                   (SILVA, Elba Maia e AGUIAR, Eliane do S.)Mangal: construído pra quem?(tese) 

Basílica de Nazaré, um exemplo da Arquitetura Neoclássica na cidade de Belém
                                                                                                 Jéssica Cabral da Silva
            
              Percorrendo a história da Arquitetura de Belém tive impressões que não esperava, pois como aluna de Arquitetura e Urbanismo, não pude imaginar que por trás de uma cidade tão perigosa e sem saneamento básico para com a maioria de sua população pudesse guardar tantas riquezas históricas de sua Arquitetura.
            Logo ao chegar, um dos primeiros locais que estavam agendados no roteiro foi a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, uma igreja que fica a poucos quilômetros do Hostel em que o grupo ficou hospedado. Fomos até lá andando a pé, já conhecendo um pouco da Arquitetura do bairro de Nazaré, que reúne valiosas construções históricas representando o ciclo da borracha (a partir da segunda metade do século XIX), além de prédios comerciais e residenciais.

                                     Figura 1 - Fachada da Basílica de Nazaré
                                     Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013.

               No entanto, antes de falar um pouco a respeito da mesma, deve-se voltar ao contexto histórico do Ciclo da Borracha. Foi um momento importante na história do Brasil, principalmente na região Amazônica (cidades como Belém, Manaus e Porto-Velho), onde proporcionou não apenas um crescimento destas cidade, mas também uma expansão de sua colonização, riquezas, além das grandes transformações culturais e sociais que aquela região obteve. O Ciclo da Borracha foi relacionado com a extração de látex e sua comercialização, e durante ele, Belém foi considerada uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas, onde sua manufatura da borracha teve papel destacado.

"De 1870 a 1910, considera-se o maior surto econômico já verificado na região, tendo-se como principal indicador o crescente aumento da produção da borracha, criando-se até a expressão "rubber reclaiming industry". Em 1871 o presidente da Província do Pará, Abel Graça, em sua mensagem à Assembleia Legislativa Provincial, anunciou o primeiro lugar da borracha na pauta de exportação: 4.890.089 quilos contra os 3.381.246 de cacau. Neste período, a borracha constituiu-se no principal produto voltado para o comércio internacional, desta forma carreando recursos e, consequentemente, permitindo um surto econômico vigoroso na região." (SARGES, 2010, p. 96)

            Visto a importância deste período, tem-se a ideia de que toda essa economia influenciou também na arquitetura da região Amazônica, e mais precisamente na cidade de Belém.
            Segundo o site da Basílica de Nazaré (2010), ela foi erguida em 1852 no mesmo lugar em que foi encontrada a imagem da Santa pelo Caboclo Plácido. No entanto, em 1884 a igreja passou a ser considerada pequena  para receber os romeiros que vinham de várias cidades do estado para a festa patronal (o conhecido Círio de Nazaré), além de também o próprio crescimento da cidade ter mudado significativamente por razão do Ciclo da Borracha, não conseguindo mais receber tantos fiéis dentro da igreja. Com isso, no passar do tempo, os Barnabitas viram a necessidade não apenas de uma reforma mas sim de uma nova construção da Basílica. Em 1905 a Paróquia de Nazaré foi entregue aos padres Barbanistas, no qual o Arcebispo de Belém, na época Dom Santino Maria Coutinho, deu-lhes a missão de conservar e aumentar a Paróquia Nazarena, passando assim a se tornar Basílica posteriormente. Logo, em 1908 após ter-se feito um grande regime econômico cortando gastos e abusos em nome da santa, economizou-se uma quantia de 100 contos, um valor que naquele período era considerado suficiente para arcar com as despesas da reforma.

"A comunidade dos Barnabitas em Belém, recebia o Visitador Geral da Ordem, Pe. Luigi Zoia, que inspecionava a Província Brasileira. Zoia era grande conhecedor de artes e se entusiasmou com a ideia, sugerindo levantar uma nova matriz ao lado da antiga, fazendo uma reprodução aproximada da Basílica romana de São Paulo." (BASÍLICA DE NAZARÉ, 2010)

            Sendo assim, conforme estudado nas aulas de História da Arquitetura e do Urbanismo no Brasil, ministradas pela professora Patrícia Orfila na Universidade Federal do Tocantins, viu-se que naquele período era bastante comum que os arquitetos contratados para fazerem projetos de residências familiares, igrejas, casarões, palácios entre outras obras, fizessem uma réplica de construções históricas que lhes eram consideradas como uma referência plástica e estética naquele momento. Logo, estas pessoas que contratavam os arquitetos, e os próprios projetistas acabaram sendo muito influenciados pela arquitetura europeia, e no caso da Basílica de Nazaré os Barbanitas queriam uma igreja similar a Basílica de São Paulo Extramuros, que é a segunda maior Basílica católica de Roma, e faz parte também das quatro basílicas patriarcais, todas localizadas em Roma.

"Embora erguida como cópia do modelo romano, a basílica adaptou a decoração interna do original, que possui medalhões com os papas em ordem de sucessão no papado e cenas com a figura de Cristo. Na igreja paraense a decoração exalta a Virgem Maria e outras mulheres da liturgia cristã." (DERENJI, 2009, p. 163)

            Conforme o site da Basílica de Nazaré, (2010), visto essa influência, em 24 de outubro de 1909 os Barbanistas deram início a execução do projeto colocando sua pedra fundamental, que foi realizado em Gênova, pelo arquiteto italiano Gino Coppedè e pelo engenheiro Giuseppe Predasso. Foi neste período que o poeta maranhense Euclides Faria compôs o hino de 12 estrofes “Vós sois o lírio mimoso” que se tornou o canto oficial da Padroeira e do Círio de Nazaré.
            A Basílica possui um estilo neoclássico, que teve uma grande influência da arquitetura europeia, e que buscou inspiração nos edifícios antigos, em especial no modelo do templo grego. O neoclassicismo se caracterizou por dar ênfase no racionalismo, no equilíbrio, na ordem, na moderação e na economia, e teve como inspiração o legado cultural da antiguidade clássica, conforme dito anteriormente.
            Com isso, o neoclássico aconteceu em duas versões; o neoclássico oficial que era todo feito de importações, e o neoclássico provinciano, que era feito por escravos. No entanto, o neoclássico oficial se concretizou nos maiores centros, como Rio de Janeiro, Belém e Recife, que naquele período eram uma das cidades que mais se desenvolviam, além de que tiveram também um contato direto com a Europa, desenvolvendo assim um nível mais robusto de arte e arquitetura durante todo aquele período.
            Derenji, J. S. e Derenji, J.  (2009), dizem que a planta da basílica se dá em forma de cruz latina, possuindo cinco naves divididas em trinta e seis colunas de granito italiano, a cada lado da nave se abrem capelas com estátuas, totalizando em quinze estátuas de mármore. Há também cinquenta e três vitrais franceses, além de sessenta e cinco ilustrações em mosaico italiano. A decoração do forro da nave central tem uma delicada ornamentação de estilo bizantino, com candelabros e luminárias pendentes. Três grandiosas portas de bronze também fazem parte do cenário, roubando a atenção de quem quer que esteja pela sua riqueza de detalhes esculpidas em cada uma.

                                         Figura 2- Vitrais no interior da Basílica
                                         Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013.

               Com todos estes detalhes, se vê que o interior da Basílica consegue remeter uma sensação de grandiosidade, pois quem está de fora não imagina que em seu interior há tantos outros elementos e decorações minuciosas, cheias de detalhes e de uma exuberante riqueza, que conseguem prender a atenção de qualquer pessoa para cada elemento, desde sua entrada lembrado um pouco da Arquitetura da Basílica de São Paulo Extramuros, indo até ao detalhe piso, do forro, ou das grandiosas portas de bronze, todos tão bem trabalhados e acima de tudo muito bem conservados.  Logo, percebe-se que ao entrar na Basílica cada qual teve uma sensação distinta e diferente dos demais, seu interior consegue transmitir impressões fabulosas, como de paz, tranquilidade, grandeza e também de muita fé.

                                             Figura 3- Detalhe da porta de bronze
                                             Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013.

               A fachada da Basílica é composta por duas frases em latim, na frase superior, está escrito "Deiparae Virgini a Nazareth", que em português significa "Virgem de Nazaré Mãe de Deus". Já na frase inferior, está escrito "Salve Regina Mater Misericordiae", que traduzindo a língua portuguesa significa "Salve Rainha Mãe Misericordiosa". Existe também uma terceira frase, acima da porta da nave central, escrita "Domys Dei Et Porta Coeli", que significa "Esta é a casa de Deus e a porta para os céus".
            Ao falar da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré é impossível não mencionar o famoso Círio de Nazaré, que é uma devoção a Nossa Senhora de Nazaré, que se tornou na maior manifestação católica do Brasil, e consequentemente um dos maiores eventos religiosos do mundo. Esta devoção é realizada no Brasil anualmente, no segundo domingo do mês de outubro na cidade de Belém do Pará.
            A procissão sai da Catedral da Sé que fica localizada também em Belém e segue em direção até a praça Santuário de Nazaré, reunindo cerca de dois milhões de fieis em uma caminha de fé pelas ruas da capital do estado, totalizado em cerca de 3,6 km percorridos. A imagem da santa fica exposta por quinze dias para a veneração dos romeiros, período chamado de quadra nazarena.

"No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Após o achado, Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estaria mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela." (CÍRIO DE NAZARÉ, 2013)

            Segundo o site do Círio de Nazaré (2013), em 1792 o Círio foi instituído, pois o Vaticano acabou autorizando a realização da procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, em Belém do Pará, onde saíam do Palácio do Governo conforme dito acima, e somente em 1882 que a procissão passou a sair da Catedral da Sé, continuando assim até nos dias atuais.

                                          Figura 4 - Altar-mor da Basílica
                                          Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013.

            Desta forma, vendo toda sua história, influencia e grandeza, vale ressaltar que a Basílica de Nazaré é a única Basílica da Amazônia brasileira, exercendo um papel importantíssimo na história de Belém, influenciando muito em sua religião católica. Quem vai a Belém com certeza não pode deixar de visitar esta magnífica Igreja, que é sem dúvida uma das mais belas do estado do Pará e patrimônio histórico de Belém.

Referências Bibliográficas

SARGES, Maria de Nazaré. Belém: Riquezas produzindo a Belle Époque (1870-1912). 3. ed. Belém: Paka-tatu, 2010.

BASÍLICA DE NAZARÉ. História da Basílica. Disponível em: <http://www.basilicadenazare.com.br/pagina/historico_da_basilica>. Acesso em: 20 de janeiro de 2014.

DERENJI, Jussara da Silveira; DERENJI, Jorge. Igrejas, Palácios e Palacetes de Belém. Brasília, DF: Iphan / Programa Monumenta, 2009.

CÍRIO DE NAZARÉ. Histórico. Disponível em: <http://www.ciriodenazare.com.br/historico/>. Acesso em: 22 de janeiro de 2014.